Cuidadores escolares reivindicam direitos trabalhistas durante audiência pública
Os cuidadores escolares do município, por meio do Sindicato dos Cuidadores de Instituições Públicas e Privadas do Estado do Maranhão (SINDCUIDA), apresentaram suas reivindicações trabalhistas durante audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (27), no Palácio do Comércio, localizado na Rua Bom Futuro, no Centro. A audiência teve como pauta o cumprimento dos direitos trabalhistas e a regularização dos salários dos cuidadores escolares de Imperatriz.
O SINDCUIDA levou ao debate a Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que estabelece diretrizes relacionadas à inclusão e à acessibilidade. A presidente do sindicato, Celyjane Batista, destacou a importância de discutir as condições de trabalho dos profissionais de apoio escolar, ressaltando que, assim como esses trabalhadores contribuem para garantir dignidade aos alunos, também precisam ter seus próprios direitos respeitados.
“Nós queremos que o Parlamento fiscalize e dê dignidade para todos os profissionais das empresas terceirizadas, não somente os cuidadores escolares”, disse.
Outro ponto destacado por Celyjane foi a alta rotatividade dos profissionais. Segundo ela, a desvalorização da categoria e os constantes atrasos salariais levam muitos trabalhadores a desistirem da função, prejudicando crianças e adolescentes que ficam sem o acompanhamento necessário. Ela também observou que a interrupção do vínculo entre os profissionais e os alunos pode provocar desregulação emocional e desinteresse, comprometendo a permanência e a participação das crianças no ambiente escolar. A presidente lembrou, ainda, que o sindicato tem buscado promover a capacitação dos trabalhadores, a valorização profissional e o diálogo para enfrentar os problemas da categoria.
“Nós estamos reivindicando o mínimo, que é o nosso salário, e nós queremos isso”, afirmou Celyjane.
A representante do SINDCUIDA Polyana Matos chamou a atenção para a falta de suporte oferecido aos cuidadores, que enfrentam jornadas marcadas por sobrecarga, desgaste emocional e pressão psicológica, além de situações de agressão física durante o exercício de suas funções. Segundo ela, esses profissionais precisam lidar com crises e episódios de desregulação emocional que exigem intervenções cuidadosas e preparo adequado.
“Nenhuma criança deve ser culpada por suas necessidades, mas nenhum profissional deve ser abandonado diante das dificuldades que enfrentam. O cuidador precisa de capacitação e orientação e de uma equipe preparada para oferecer suporte. Cuidar de uma criança exige responsabilidade, mas cuidar de várias crianças simultaneamente sem apoio suficiente pode transformar uma atividade que exige atenção individualizada em uma situação de sobrecarga e risco”, explicou.
Durante a audiência, também foram relatadas situações em que profissionais precisam acompanhar, sozinhos, três ou quatro crianças, cada uma com necessidades específicas e particularidades que exigem atenção individualizada. A psicóloga do SINDCUIDA, Ana Célia, abordou, sob a perspectiva da psicologia, a saúde emocional dos cuidadores e as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores em sala de aula. Ela também destacou os desafios vivenciados pelas famílias, a sobrecarga de trabalho, os atrasos salariais, as negociações sindicais e a necessidade de respeito aos direitos trabalhistas.
Segundo a profissional, essas questões estão interligadas e demonstram que não há educação humanizada de qualidade sem condições adequadas para quem realiza esse trabalho. Ana Célia explicou que a sobrecarga, a insegurança financeira e o esgotamento decorrente da rotina de trabalho podem comprometer a saúde mental dos profissionais.
“Quando um profissional precisa atender simultaneamente à necessidade de três ou mais crianças sem suporte, a sua atenção fica dividida e a exigência aumenta, o que representa não apenas uma dificuldade individual do trabalhador, mas uma questão que exige análise das condições de trabalho, da organização institucional e da responsabilização de todos aqueles envolvidos”, afirmou.
A psicóloga reforçou que os cuidadores escolares do município precisam de acolhimento, orientação, capacitação, segurança e apoio para exercer suas funções com dignidade. Da mesma forma, ressaltou a importância de olhar para as crianças com sensibilidade e compreensão, considerando suas necessidades específicas e garantindo o acompanhamento adequado. Ela pontuou que as dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar não devem se transformar em um confronto entre profissionais e alunos, mas precisam ser tratadas de modo a assegurar o respeito a ambos.
A profissional também destacou que a insegurança financeira, as dificuldades para pagar contas e garantir necessidades básicas, como alimentação, pode contribuir para o surgimento de problemas como ansiedade e instabilidade emocional, afetando a vida pessoal dos trabalhadores.
“As reivindicações apresentadas nesta audiência não são questões isoladas. A regularidade dos salários, a fiscalização dos direitos trabalhistas, a fiscalização das empresas e dos contratos, o diálogo com as empresas e as melhorias das condições de trabalho fazem parte de uma mesma necessidade, que é garantir com dignidade uma parte essencial da inclusão escolar”, finalizou.



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