Audiência pública discute adicional por tempo de serviço dos servidores públicos do município
Servidores públicos de
Imperatriz, juntamente com sindicatos e lideranças representativas,
manifestaram-se em favor da regularização da lei do Adicional por Tempo de
Serviço (ATS) durante audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira
(5), pela Câmara Municipal de Imperatriz. A audiência ocorreu no Palácio do
Comércio, espaço escolhido para garantir melhores condições de acomodação às
entidades representativas, servidores e autoridades presentes.
A audiência pública foi conduzida
pela Comissão de Educação, Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, presidida pelo
vereador Francisco Messias (PDT), tendo como 1º vice-presidente Jhony Pan (PSD)
e 2ª vice-presidente Rosângela Curado (PL), e os vereadores Whallassy Oliveira
(PT) e Ricardo Seidel (PSD).
Em seu discurso inicial, a
procuradora-geral do Município, Alessandra Belfort, destacou que os sindicatos
participam da ação como amicus curiae, expressão em latim utilizada
quando uma terceira parte ingressa no processo para fornecer subsídios ao órgão
que julga. Ela explicou que o processo segue seu trâmite regular e será julgado
pelo Tribunal de Justiça, por desembargadores.
Alessandra esclareceu que o
Ministério Público alega vício de iniciativa na criação do dispositivo,
enquanto o Município sustenta que se trata de matéria de competência municipal
para legislar. A procuradora ressaltou que, caso a ação seja julgada
procedente, existe a possibilidade de que os efeitos da decisão retroajam à
data da declaração de inconstitucionalidade, mas também pode haver modulação
dos efeitos, a depender do entendimento da Corte.
Sindicatos
reivindicam regularização da lei
A presidente do SindSaúde,
Ariane, utilizou a tribuna para defender o ATS como símbolo de lealdade e
compromisso dos servidores com o município. Segundo ela, o adicional representa
reconhecimento ao tempo dedicado ao serviço público, muitas vezes exercido em
condições precárias.
“Retirar esse ATS significa
retirar não somente o valor, mas a lealdade. Imagine 30% ou 40% do salário dos
servidores. O ATS compõe isso”, afirmou.
Ela relembrou casos de
gratificações já retiradas anteriormente e os impactos negativos na vida dos
servidores, especialmente aqueles com 20 anos ou mais de serviço. Como
alternativa, defendeu o envio de projeto de lei pelo Executivo à Câmara
garantindo integralmente os direitos dos servidores.
A presidente do sindicato
Fetespusulma, Eurami Reis, destacou a mobilização sindical e a importância
histórica das conquistas da categoria, lembrando que desde a década de 1970 os
servidores contam com o direito ao quinquênio e outros benefícios. Ela reforçou
que a mobilização é fundamental para a manutenção dos direitos.
O presidente do Sindicato dos
Agentes de Endemias, Dênis, afirmou que o Executivo possui os meios para
regulamentar o ATS e assegurar os direitos adquiridos, ressaltando a
importância da participação das entidades sindicais na construção da nova
proposta legislativa.
“Direito adquirido ninguém tira,
e os sindicatos precisam participar da formulação da nova lei”, destacou.
Projeto
para regularização
O secretário municipal de
Administração e Modernização, Rômulo Andrade, afirmou que o ATS pertence aos
servidores de Imperatriz e garantiu que nenhum servidor deixará de receber o
benefício. Ele explicou que a ação do Ministério Público questiona o artigo 80
da Lei Orgânica do Município por possível vício de iniciativa.
Segundo o secretário, caso a
Justiça decida pela inconstitucionalidade do dispositivo, a gestão municipal
adotará medidas urgentes junto à Câmara para assegurar os direitos dos
servidores. Ele informou ainda que já existe um projeto de lei em elaboração
para regulamentar o adicional, que será discutido com todas as categorias.
“Já temos um projeto de lei que
será debatido com os servidores. Vamos regulamentar tudo. Fica a garantia do
Executivo de que será pago tudo o que for de direito. Essa verba vem sendo paga
há 34 anos e, com ou sem decisão, continuaremos pagando. É um compromisso da
gestão com todos os servidores públicos do município”, afirmou.
Rômulo Andrade convidou os
sindicatos para participarem de reunião na próxima segunda-feira, na Secretaria
de Administração, para discutir a construção da nova proposta legislativa.
Durante a audiência, vereadores
também se manifestaram. Alcemir Costa (Podemos) defendeu o envio do projeto de
lei com urgência para sanar o possível vício e preservar os direitos dos
servidores. Já o Sargento Adriano (Republicanos) alertou que a ação questiona
todo o artigo 80 da Lei Orgânica, podendo impactar direitos considerados vitais
para os servidores.
O presidente da Câmara, Adhemar
Freitas Jr. (MDB), destacou a importância do debate promovido pelo Legislativo
e ressaltou o compromisso dos poderes em buscar soluções conjuntas. Ele
mencionou a preocupação de servidores que enfrentam ansiedade e problemas de
saúde diante da possibilidade de perda do benefício.
“É importante participar de uma
audiência pública em que todos propõem soluções e estão preocupados em resolver
o problema, ouvindo todos e garantindo que não haverá perdas para os
servidores”, afirmou.
O secretário municipal de Saúde,
Flamarion Amaral, reforçou que a gestão possui defesa jurídica estruturada e
compromisso em manter os direitos dos servidores.
“A gestão está empenhada em
resolver a situação e nenhum servidor ficará prejudicado”, concluiu.
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