Sindicatos de servidores utilizam Tribuna Popular para cobrar ações diante do desligamento de servidores em Imperatriz
Representantes da Federação dos
Trabalhadores no Ensino e no Serviço Público dos Municípios do Estado do
Maranhão (FETESPUSULMA) e do Sindicato dos Professores e Professores
Especialistas da Rede Municipal de Imperatriz (SINPESMI) utilizaram a Tribuna
Popular da Câmara Municipal de Imperatriz, na manhã desta terça-feira (8), para
discutir o desligamento de professores da rede pública municipal e de outros
servidores públicos do município.
O caso ocorre após manifestação
do Ministério Público Estadual, que recomendou o desligamento de mais de 700
servidores efetivos que permaneciam em exercício após a aposentadoria, em razão
das regras previstas na Emenda Constitucional nº 103/2019. Durante a tribuna, a
presidente da FETESPUSULMA, Eurami Reis, destacou que a Constituição Federal
assegura, em seu artigo 5º, o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Segundo Eurami, muitos dos
servidores desligados são concursados, enquanto outros foram efetivados por já
exercerem suas funções há pelo menos cinco anos antes da promulgação da Constituição
Federal de 1988. Nesse sentido, a presidente argumentou que, considerando os
direitos adquiridos e os aspectos constitucionais e legais, os servidores
teriam sido desligados por meio de decreto sem prévia notificação, o que,
segundo ela, configuraria uma irregularidade.
Eurami explicou ainda que a
reforma da Previdência de 2019 estabeleceu regras para os servidores que já
haviam se aposentado até outubro daquele ano, permitindo, em determinadas
situações, a continuidade no serviço público. Ela ressaltou também a
preocupação com o impacto do desligamento de um grande número de professores,
considerando que a educação é um serviço essencial para a comunidade.
A presidente da FETESPUSULMA
afirmou que, conforme levantamento realizado pelas entidades representativas,
os servidores atingidos possuem direitos que precisam ser analisados
individualmente. Ela também questionou a forma como os desligamentos foram
realizados, argumentando que os procedimentos deveriam observar as normas
previstas no regime jurídico dos servidores públicos.
A vice-presidente do SINPESMI,
Apolônia Vieira, também utilizou a Tribuna Popular e destacou a preocupação dos
sindicatos com os impactos físicos, emocionais e financeiros provocados pelos
desligamentos. Segundo ela, os servidores foram afastados de forma abrupta e
perderam rendimentos considerados essenciais para o custeio das despesas
básicas de suas famílias.
Utilizando também a tribuna, o
advogado da FETESPUSULMA, Vitor Diniz, defendeu que os servidores recebam
tratamento digno e que sejam observados os mecanismos previstos na legislação,
como a vacância, o contraditório e a ampla defesa. O advogado afirmou que
municípios vizinhos que enfrentam situações semelhantes estão adotando
procedimentos que, segundo ele, garantem maior segurança jurídica aos
servidores envolvidos.
Vitor Diniz também apontou que
muitos servidores aposentados permaneceram em atividade porque, antes da
aposentadoria, recebiam salários superiores aos benefícios previdenciários
posteriormente recebidos. Segundo o advogado, em alguns casos, os valores
passaram a corresponder a aproximadamente um salário mínimo, o que teria levado
os servidores a permanecerem ou retornarem ao exercício de suas funções.
Outro ponto apresentado pelo
representante jurídico foi a existência, segundo ele, de casos de servidores
com períodos de até 15 anos sem repasses previdenciários ao Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS).
“Como medida prática, a Lei nº
1.593, da mesma forma que prevê a vacância, prevê o direito ao contraditório e
à ampla defesa. Nós queremos o contraditório e a ampla defesa, e queremos ainda
mais o cumprimento do piso para os auxiliares de magistério, que vem após uma
série de condenações e sentenças em inúmeros tribunais de Justiça”, afirmou o
advogado.
O advogado da FETESPUSULMA
reforçou a necessidade de que sejam assegurados os direitos dos servidores
desligados e que os procedimentos adotados pelo município estejam de acordo com
a legislação vigente. Como alternativa, Vitor Diniz citou o município de Bequimão,
na região metropolitana de São Luís, onde, segundo ele, uma decisão judicial
determinou que os servidores que efetivamente deveriam ser desligados passassem
por um regime de transição, observando as normas legais aplicáveis.



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