Câmara realiza ação social na empresa Hotbell por meio do programa Empresa Inclusiva
A Câmara Municipal de Imperatriz realizou, na manhã desta sexta-feira (25), uma ação social na empresa Hotbell, por meio do programa Empresa Inclusiva. O objetivo é fornecer acessibilidade em Libras dentro de empresas que possuem funcionários surdos. Essa ação ocorre em alusão ao Setembro Surdo ou Setembro Azul e integra as ações desenvolvidas durante este mês para conscientização, visibilidade e inclusão dos direitos da comunidade surda.
O projeto nasceu da necessidade de ampliar a acessibilidade em Libras nos diferentes espaços de Imperatriz, como hospitais, clínicas, escolas e empresas, seja para entrevistas de emprego, atendimentos, serviços de polícia ou acesso à documentação do cidadão. Em razão da grande demanda da comunidade surda por intérpretes de Libras, que geralmente não são disponibilizados por essas instituições e empresas, foi necessário criar uma plataforma digital que pudesse ajudar a alcançar mais pessoas, ensinando Libras de maneira gratuita, rápida e intuitiva.
O programa pretende mudar a relação entre as empresas e seus funcionários surdos a partir da autonomia proporcionada pela comunicação em Libras. Com isso, o funcionário poderá solicitar serviços, fornecer informações, prestar orientações e estabelecer uma comunicação mais efetiva dentro da empresa para o desenvolvimento do trabalho. Essa relação tende a se estreitar entre empresa e funcionário, de maneira que a produção também possa ser ampliada a partir da comunicação e da colaboração proporcionadas pela Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Acesso ao curso será destinado às empresas parceiras
Nesse primeiro momento, o curso será disponibilizado somente para os funcionários das empresas parceiras da Câmara Municipal de Imperatriz. O projeto ainda está em fase inicial e será aperfeiçoado, sendo acessível apenas aos colaboradores das empresas parceiras. O acesso será realizado por meio de login e senha, e cada funcionário terá acesso aos cursos disponibilizados.
As empresas que não são parceiras não terão acesso ao curso. Essa medida também servirá como uma forma de criar um selo de Empresa Inclusiva, destinado às empresas que pactuarem a participação junto à Câmara. Nesse sentido, a empresa fornecerá o curso aos seus colaboradores, que terão acesso gratuito ao conteúdo, exclusivamente enquanto vinculados às empresas parceiras.
Nesse sentido, os colaboradores poderão aprender principalmente os sinais básicos para uma comunicação inicial e também aprofundar o conhecimento em sinais específicos relacionados ao seu dia a dia de trabalho. Como o projeto contempla empresas parceiras que poderão se vincular à iniciativa, os sinais próprios de cada empresa poderão ser fornecidos e desenvolvidos junto ao projeto. Termos relacionados a armazenamento, logística, empilhamento, depósito e outras atividades pertinentes ao cotidiano do funcionário e de cada departamento poderão ser incluídos, permitindo que os colaboradores aprendam a se comunicar utilizando termos específicos e técnicos presentes em sua rotina de trabalho.
O desenvolvimento do projeto digital ainda está em fase de estudo. A princípio, a proposta é criar uma plataforma digital com materiais de estudo em Libras, como vídeos, apostilas e outros conteúdos, organizados de maneira coerente e pedagógica, visando proporcionar um aprendizado rápido e focado em objetivos específicos. A empresa Hotbell foi selecionada neste primeiro momento por ser a empresa com o maior número de funcionários surdos, totalizando seis colaboradores.
O intérprete de Libras da Câmara Municipal de Imperatriz, Paulo Roque, explica que a seleção das empresas que participarão do programa considera a presença de funcionários surdos e a existência de um ambiente propício para que essas pessoas exerçam seus direitos e sejam acolhidas de forma adequada. Ele ressalta que empresas que possuem funcionários surdos também podem entrar em contato com a Câmara Municipal para discutir a participação no programa.
“Por meio de uma conversa e de reuniões, a gente pode firmar esse pacto e também começar a ajudá-los com sinais específicos daquela empresa”, explica.
O intérprete destaca ainda que a proposta é ampliar o projeto para outras empresas, de maneira que aquelas que possuem funcionários surdos também possam incentivar o ensino de Libras e, consequentemente, contribuir para a inclusão dessas pessoas.
“A proposta é ampliar o projeto para mais empresas, de maneira que todas essas empresas que têm comunidade surda, que têm funcionários surdos, também possam incentivar o ensino de Libras e, consequentemente, a inclusão dessas pessoas”, disse.
Paulo também ressalta a expectativa de que o programa produza impactos dentro das empresas, especialmente na comunicação com os funcionários surdos. Segundo ele, essa ação contribui para a sensibilização, a garantia de direitos constitucionais, o acesso à comunicação e à convivência, aspectos imprescindíveis para o bom desenvolvimento do trabalho em todos os departamentos e grupos que exercem determinada função dentro da empresa.
Ele reforça ainda a importância de que as empresas tenham funcionários ouvintes que saibam Libras, considerando que as pessoas surdas possuem capacidade e já estão inseridas no mercado de trabalho, mas podem encontrar limitações para desenvolver ainda mais suas atividades e sua produção em razão da falta de oportunidades e, principalmente, das barreiras de comunicação.
“É muito importante que as empresas tenham funcionários ouvintes que saibam Libras, porque as pessoas surdas têm capacidade e estão no mercado de trabalho. Porém, elas não conseguem desenvolver ainda mais seus trabalhos e sua produção por conta da falta de oportunidade. Essa oportunidade é dada principalmente, primeiro, através da comunicação, porque, se há uma barreira de comunicação, elas ficam limitadas”, finalizou.
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