Audiência pública discute obras do PAC da Vila Nova com autoridades e moradores
A Câmara Municipal de Imperatriz realizou, na manhã desta quinta-feira (22), uma audiência pública na Congregação Filadélfia, localizada na Rua Teotônio Vilela, na Grande Vila Nova, para discutir os problemas relacionados às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na região. O objetivo da audiência foi ampliar o debate sobre os atrasos das obras, esclarecer dúvidas da população e buscar soluções para os transtornos enfrentados pelos moradores.
A audiência foi conduzida pela Comissão Permanente de Obras e Serviços Públicos, presidida pelo vereador Jhony Pan (PSD), com participação dos membros Renata Morena (PRD) e Sargento Adriano (Republicanos). O presidente da comissão, Jhony Pan (PSD), destacou que a audiência foi motivada pelos constantes problemas enfrentados pela população há mais de 10 anos em decorrência das obras inacabadas. Segundo o parlamentar, moradores relatam diariamente dificuldades de acesso ao bairro, além de problemas no transporte público e na mobilidade urbana.
“O bairro Vila Nova tem mais de 50 anos e, desde 2012, sofre com os atrasos das obras do PAC, que impactam diretamente a vida da população”, afirmou.
O presidente da Câmara, Adhemar Freitas Jr (MDB), ressaltou que toda grande obra gera transtornos, mas destacou que a situação da Vila Nova ultrapassou os limites aceitáveis devido ao longo período de execução.
“Estamos falando de uma obra que já ultrapassa mais de 10 anos. O sonho apresentado no início foi muito diferente da realidade enfrentada hoje pelos moradores. Precisamos entender quais são as dificuldades da obra e, principalmente, encontrar soluções”, declarou.
Adhemar também reforçou que, embora os recursos sejam federais e a execução seja de responsabilidade do município, é necessário que os poderes públicos atuem conjuntamente para resolver o problema.
“Quem ocupa espaço de poder precisa assumir responsabilidade pelos problemas da cidade. Não podemos apenas apontar culpados, precisamos agir”, destacou.
O vereador Sargento Adriano (Republicanos) também reforçou os transtornos enfrentados pela comunidade e afirmou que a população da Vila Nova é a principal vítima da paralisação das obras.
“São muitos problemas, mas estamos aqui para ouvir a população e buscar soluções. O papel do vereador é cobrar e continuar lutando até o último dia do mandato”, disse.
Debates técnicos e situação das obras
Durante a audiência, representantes do poder público, da empresa responsável pela obra e moradores apresentaram informações e questionamentos sobre o andamento do PAC. O representante da Defesa Civil, Dr. Evandro, destacou que a situação da Vila Nova envolve questões técnicas complexas relacionadas ao sistema de drenagem e ao plano altimétrico da cidade, principalmente em áreas próximas aos riachos.
“Precisamos pensar em soluções que protejam as famílias e evitem que a água invada as residências. A participação popular é fundamental para encontrar caminhos para essas demandas”, afirmou.
Representando a empresa Transformar, responsável pela execução da obra, o advogado Dr. Jefferson e a engenheira Daniela Souza afirmaram que a empresa mantém diálogo constante com a Prefeitura e a Caixa Econômica Federal para esclarecimentos sobre o andamento do projeto.
“Não existe constrangimento em prestar contas à população. Essa é uma obrigação da empresa e estamos aqui justamente para isso”, declarou o advogado.
Também participaram da audiência o secretário de Planejamento Urbano, José Ribamar, o secretário de Administração, Rômulo Andrade, e o secretário municipal de Infraestrutura, Vilmar Dantas.
Vilmar explicou que o projeto do PAC teve início em 2012, prevendo obras como revitalização do Riacho Bacuri, construção de unidades habitacionais, escola, posto de saúde e sistemas viários. Segundo ele, o projeto foi dividido em três bacias: Grande Vila Nova, Parque Santa Lúcia e região da Vila Fiquene/Canto Universitário.
De acordo com o secretário, a obra originalmente possuía orçamento de aproximadamente R$ 50 milhões. A empresa vencedora da primeira licitação executou apenas cerca de R$ 7 milhões antes da rescisão contratual. O secretário destacou ainda que o contrato atual contempla serviços de esgotamento sanitário, drenagem, pavimentação e construção de posto de saúde, com aproximadamente 59% da obra já executada.
Vilmar ressaltou que a drenagem urbana é um dos maiores desafios da região.
“A Vila Nova possui características de terreno muito plano, o que exige soluções técnicas complexas para o escoamento da água. Existem dificuldades burocráticas e operacionais, mas estamos trabalhando para resolver”, explicou.
Ele também lembrou que problemas estruturais antigos agravaram a situação da região, especialmente após intervenções realizadas em 2022 na Rua Casemiro de Abreu.
“O sistema de drenagem não suportou o volume de água e isso causou diversos transtornos na Vila Nova e em áreas adjacentes”, afirmou.
A engenheira Daniela Souza, responsável técnica pela obra, explicou que muitos moradores questionam ruas que não estão contempladas no contrato atual.
“A empresa só pode executar aquilo que está previsto contratualmente. O maior problema da Vila Nova hoje é a drenagem. Nenhum asfalto suporta solo completamente alagado”, pontuou.
Ela explicou ainda que o período chuvoso dificulta a continuidade das obras e relatou que a empresa enfrentou atrasos nos repasses financeiros durante parte do ano passado. Segundo Daniela, a previsão é que a obra do PAC na Grande Vila Nova seja concluída até novembro. Já as intervenções na Rua Euclides da Cunha devem ser finalizadas em aproximadamente 45 dias.
Moradores cobram respostas e cronograma definitivo
Durante a audiência, moradores da Vila Nova relataram dificuldades enfrentadas diariamente em razão das obras. O influenciador digital Lucas, representante da comunidade, cobrou mais transparência sobre a execução do projeto.
“Aqui não se trata apenas de trafegabilidade. É uma questão de saúde pública e segurança, porque ambulâncias e viaturas têm dificuldade para entrar no bairro”, afirmou.
Morador da Vila Nova há 44 anos, Adelmo relatou que a comunidade convive há anos com buracos, lama e dificuldades de acesso. Já a moradora Meire Batista destacou problemas relacionados à poeira, erosões e obras interrompidas em diversas ruas da região.
A vereadora Rosângela Curado (PL), que também é moradora da Vila Nova, cobrou da empresa e do poder público um cronograma claro de execução das obras.
“A população quer saber exatamente o que será feito e quando será concluído. São mais de 15 anos de transtornos e a comunidade está cansada de esperar”, declarou.
Rosângela lembrou que esteve recentemente na sede da empresa Transformar buscando informações sobre os prazos da obra e reforçou a importância do acompanhamento permanente por parte do poder público.
“Nós precisamos estar próximos da população e acompanhar não só a situação da Vila Nova, mas todos os problemas estruturais da cidade”, concluiu.
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